sexta-feira, 27 de abril de 2012

Experiências Kafkianas



Como todos sabem, eu adoro leitura . Resolvi, nas últimas, fazer algo inédito: ler dois livros seguidos de um mesmo autor. O escolhido foi Franz Kafka.

Decidi começar pela leitura de Carta ao Pai, pois havia comprado o livro há um bom tempo, mas não tive ânimo para ler. Acredito que tenha acertado em cheio ao escolher este título para inaugurar minha experiência Kafkiana, pois pelo que eu pesquisei e principalmente pelo que senti a conturbada relação de Kafka com seu pai é ponto crucial em sua obra.

A ''Carta'' foi escrita em 1919. Kafka tinha o intento de entregá-la ao pai, coisa que não aconteceu. Aqui, o que salta aos olhos, além, obviamente, da relação pai-filho, é o brilhantismo com o qual Kafka escreve: o aspecto literário desta ''simples carta '' é surpreendente. Quando li, além de enxergar aspectos de minha própria relação com meu pai, também me perguntei o que habitava a mente e o coração de Kafka.

Resolvi então, passar a vez à Metamorfose.

O livro já inicia com a emblemática e arrebatadora frase: '' Quando certa manhã Gregor Samsa acordou de sonhos intranquilos, encontrou-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso. '' A metamorfose na verdade ultrapassa os limites da mudança física da personagem principal. Tanto o seu cotidiano quanto o de sua família são alterados radicalmente.

Acredito que para um livro há várias interpretações, que ficam sempre a cargo da percepção de cada leitor. No meu caso, senti enorme perturbação com a questão da mudança. Achei cruel a forma com que Kafka descreve a dor de Gregor, algo que ousaria chamar de '' verdadeiro encontro com a solidão do ser '' . A surpreendente reação gradativa de sua família em relação à mudança também me assustou. Me fez pensar até que ponto estamos preparados e abertos para o que é novo e desconhecido. Será que cada um de nós sabe o quão forte para enfrentar obstáculos somos? Será que somos capazes de enxergar também o nosso lado cruel?

Os vários aspectos das leituras que fiz tanto de Carta ao pai e principalmente de A metamorfose, são perfeitamente contemporâneos, e justamente isso é o que me chamou atenção na leitura de Kafka. É algo com o qual é impossível passar ileso sem ser tocado de algum modo. Seja para o bem ou seja para o mal.

Recomendo fortemente a leitura, meus caros.

Beijos da Pretah ♥

2 comentários:

J. BRUNO disse...

Joyce, eu sou suspeito para falar qualquer coisa sobre Kafka, afinal como eu já lhe disse, ele é meu autor favorito, eu me identifico assustadoramente com sua obra... Ambos os livros que você leu/comentou são obras primas da literatura mundial, acho que podemos dizer que Kafka estava à frente de seus tempos em suas dores e em sua angústia, o sofrimento que surge em suas obras como algo inerente à condição humana é o mesmo mal que atormenta o boa parte dos indivíduos na sociedade pós moderna...

Celo Silva disse...

Otimo texto Joyce, não li nada de Kafka. Sim, cada vez mais tenho lido coisas corriqueiras. Tenho q voltar a boa leitura. Tem um filme chamado Misterios e Paixões do Cronenberg q tem muito de metamorfosis. Vale uma olhada tb.

Um beijo e um abraço.