sexta-feira, 23 de junho de 2017

Gold

Ouvindo um podcast de música na internet um cantor tentava explicar o que sentiu para compor uma determinada canção. Basicamente,queria passar a ideia do que o amor lhe causava. Ele falava da sensação de olhar para sua namorada e perder o fôlego, não conseguir dizer nada, tão movido pelo amor que se sentia. Estou sentindo amor, e ele é feito de ouro, ele explica na letra. Num determinado momento da entrevista, ainda tentando explicar essa onda que nos toma quando amamos, ele diz a frase na qual fiquei presa: Love is like a punishment. O amor é como uma punição.

O amor é como uma punição?

Fiquei tentando ponderar sozinha sobre isso. Claro que existe a máxima de que o amor liberta, de que o amor é leve, etc, mas sendo bem sincera, acho que o amor é um sentimento tão poderoso e gigante, que o comparo com um campo a se explorar. Quem sente amor é sempre alguém preparado para uma nova batalha a cada dia. São turbilhões de sensações. São várias formas de amar. Amar a si, amar ao próximo, amar sem ser amado. Para cada forma de amor, um uniforme. Para cada uniforme, suas marcas. Para cada marca, uma característica. À medida que vamos vivendo o amor e experimentando suas formas, seus anseios, vamos entendendo como lidar.

Não é fácil. Talvez por isso o cantor deva ter falado em amor como uma punição. Porque amar é sublime, mas também pode doer. Doer de amar, doer de desejar o amor, doer de saudade, doer de deixar partir, passar por cima de orgulho, de egoísmo. Somos humanos, logo, somos egoístas. Taí outra batalha que enfrentamos com o amor: o desapego do egoismo. Nos moldamos para o amor, o que me faz lembrar de uma fala de um filme muito querido por mim e que adivinhem, fala sobre (a descoberta do) amor. O filme é Antes do amanhecer e a fala diz mais ou menos assim: Afinal, tudo que fazemos na vida não é um modo de sermos amados um pouco mais?

É de se pensar.

O amor é o maior mistério da vida, ao passo que também é singelo. Por isso mesmo, ele é ouro. Porque é precioso.


Caso queira ouvir o podcast -   http://songexploder.net/chet-faker

E caso queira ouvir o som:


quarta-feira, 14 de junho de 2017

Carta Aberta


Estive pensando em um modo legítimo de pelo menos secar o entorno do meu peito transbordado sem cair em tristezas e lamentações que não levam a nada.
Resolvi então em escrever uma carta para cada lembrança que você me causa.
 Não tenho como saber se você vai ler essas linhas tortas, mas dizendo ao papel as coisas que me vão ao coração, vou limpando meu terreno interno pelo menos até a nova onda me inundar. Tornar o pensamento verbal em palavra escrita tem peso medicinal. É alívio imediato fazer do papel um cúmplice.
Senti saudade do seu sorriso ontem. Meu deus, poderia escrever um livro descrevendo o momento do seu sorrir!  O que me é favorito é aquele furtivo, que sai do inesperado quando você se depara com qualquer detalhe de beleza, seja um parágrafo bem escrito num texto de jornal ou um acorde bonito de guitarra. 
Foi seu sorriso que me causou o primeiro de muitos encantos.
Lembrei como sua risada é sincera. Digo isso porque você não ri de qualquer coisa. Eu, que sou palhaça e rio de qualquer besteira - alto lá, que certo critério eu tenho! – te chamava de esnobe na minha cabeça, porque achava absurdo não rir de certas bobagens ou memes do momento. Aprendi com o tempo que aquele ar desdenhoso frente às besteiras que te mostrava não era uma afronta a meu modo solto de rir. Era apenas um jeito tão seu de não jogar qualquer risada ao vento. Isso deve ser coisa que vem com a maturidade, não é?
Como a carta é aberta, não vou fazer fechamentos por hora. Sim, usei  um trocadilho ridículo. Sempre gostei de fazer trocadilhos sem graça perto de você. Às vezes você até que achava graça. Eu sei que achava... 
Eu via em seu sorriso.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Sobre Milana

Milana surgiu em minha vida como que vinda de um outro planeta. Que ser diferente, aerado e esplêndido em seu caminhar! Queria ser o vento, costumava dizer. Todos ao redor achavam bizarro alguém querer ser vento. Eu sempre achei bonito.
Milana é esquelética e alongada. Elegantes formas em seu corpo de bailarina. Cada passo que dá parece coreografia. Milana sabe dançar sua própria dança.
Ela não veio com filtro de fábrica: de sua boca fina saem palavras pesadas,  que doem como navalhas. Mas se a vida fere todos os dias,  porque Milana mediria palavras? Da mesma forma que é voraz, Milana é doce. Sua aura de amor envolve quem está perto. Sua sabedoria e lucidez espantam pela coragem e peito aberto com que age.
Além de tudo isso,Milana sabe abraçar. O abraço de Milana não economiza aperto. Quando ela te abraça, quer entrar dentro de você, ir fundo mesmo. Milana abraça com verdade.
Essa mulher de quem o nome repeti inúmeras vezes neste pequeno texto é inesquecível e tão verdadeiramente real e presente, que qualquer encontro com ela, ainda mais sendo fora de contexto e sem combinação, é cheio de transcendentalismo. 
Milana é a ventania. 
Meu amor por ela voa, livre.

domingo, 5 de março de 2017

Sobre meu jeito de amar

Ontem mesmo estava pensando em meu jeito de amar.
Eu amo com urgência,sem pudor,com exagero, dilaceradamente.
Eu amo esparramado, declarado,que mesmo em silêncio a mensagem fica clara.
Eu amo com palavras, eu dou cartaz. Eu amo do amor escorrer pelos meus olhos.
Escorre uma cascata. Nenhuma barreira contém meu amor correndo em alta velocidade.
Não sei fazer de outra maneira.


Na foto, um belo poema de Adélia Prado.


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Take me tonight

Vem me buscar essa noite. Quero sentar no banco do seu carro e deixar você me levar em silêncio, a mão na minha coxa quando o farol fechar, o olhar de banda quando ficar tudo muito quieto.
Me leva. Não me deixa aqui angustiada. Vem me falar como foi seu dia. Fale sem parar, até perder o fôlego. Depois, fale mais. Me conta o que ouviu de novo,  a música que descobriu naquele filme, de como está estressado com trabalho, de como se irrita com os indivíduos que não dão seta no trânsito.
Me acolhe. Diz pra mim que tudo vai dar certo quando minha esperança estiver remando contra a maré. Me pega um copo d’água, pega o óleo e me faz uma massagem, deixa eu te cheirar o cangote e bagunçar o seu cabelo recém penteado. Me diz que tudo vai ficar bem e pede pra eu fechar os olhos para o sono vir logo.
Se meta na minha vida. Entra dentro dela que o convite tá na porta e nem precisa bater. Estou aqui com a mobília pronta, a casa feita, os ouvidos atentos e os braços abertos.  Senta no sofá, diz pra eu não exagerar e não pirar. Fala pra eu ter juízo, me fale sobre fé.
Depois de tudo isso bota a mesa. Antes do jantar, tira minha roupa. toma banho comigo.

Me veste de paz.