É ao som de Caetano Veloso que inicio este post, depois de mais de um mês sem por aqui dar as caras.domingo, 30 de setembro de 2012
O Ciúme
É ao som de Caetano Veloso que inicio este post, depois de mais de um mês sem por aqui dar as caras.domingo, 2 de setembro de 2012
Kundera em mim

sexta-feira, 13 de julho de 2012
Romântico é uma espécie em extinção?

Ontem, em mais uma de minhas inúmeras noites insones, minha amiga Flávia Oliveira me chamou no Facebook e me mostrou um vídeo, pedindo para que eu assistisse e dizendo que eu, como uma das últimas românticas do mundo, iria adorar. Tratava-se de um vídeo feito por um rapaz que foi a uma balada e se encantou por uma menina. Segundo ele, foi ''amor à primeira vista'‘, porém perdeu seu telefone. O vídeo era um apelo para encontrar a tal garota e chama-se ''perdi meu amor na balada''. Como esperado, eu achei muito fofo, e Flávia comentou que muitas pessoas classificaram a atitude do rapaz como ''ridícula''. Fiquei espantada com isso e Flavinha pediu então, que escrevesse a respeito.
Seu pedido é uma ordem, minha querida!
Tenho notado que cada vez mais o romantismo que eu tanto admiro e pratico está um tanto quanto escasso.
Sou admiradora do ultrarromantismo e adoro figuras passionais que colocam o amor acima de tudo e por ele travam uma busca incansável. No fundo, os admiro porque sou assim também: passional até o limite do limite. Reconheço porém, que tudo que é feito e sentido em demasia pode enjoar, como todos dizem. O cerne da questão e deste post é: em tempos como esse que vivemos, onde tudo é muito rápido e instantâneo, aonde foi parar o romantismo, ainda que de forma comedida?
Sinto que hoje em dia, devido à rapidez com que as coisas se movem, não há mais aquela coisa da CONQUISTA. Flertar em pleno 2012 muitas vezes se resume a uma cutucada no Facebook ou mesmo algumas cantadas que de tão baratas e sem criatividade, chegam a ser bizarras. Sinto falta de troca de olhares, de nervosismo, expectativa, uma certa timidez e sobretudo ,delicadeza.Saber que algumas pessoas acharam ridícula a atitude do rapaz que fez o vídeo que citei acima é só mais um reflexo de minha opinião: as pessoas ,especialmente os mais jovens,de modo geral não estão mais acostumadas a atitudes assim, dotadas de sensibilidade e de um certo arrebatamento. Sinto falta de ver nas pessoas aquele brilho no olhar e aquela vontade louca de se jogar. Ao que me parece, falta EMPOLGAÇÃO e disposição para arriscar. Tudo isso implica para que o romantismo vá diminuindo. Não há mais tanta vontade de se expor. Não há mais cartas de amor. Fernando pessoa diz que cartas de amor e palavras esdrúxulas são naturalmente ridículas. Será que as pessoas estão com medo de parecerem assim? Falta hoje em dia o medo de arriscar quando o que está em jogo é o coração.
Não quero aqui ser radical demais, nem bancar a romântica irracional, mas acho que realmente falta um quê de ternura e mistério nas relações em tempos tão modernos. Como escreveu Arthur da Távola, há que se ‘’buscar a criança própria e a do amado/a ‘’ e de vez em quando colocar ‘’intenções de quermesse ‘’ em nossos olhos e porque não ‘’beber licor de contos de fadas’’.
Acredito no amor e na necessidade de emoção. Há sentimentos na vida que não se explicam... Que só se sentem. Fazendo mais uma citação, Gilberto Gil diz que do luar não há nada a dizer a não ser que ‘’a gente PRECISA ver o luar’’. É isso! Para bons entendedores, uma bela citação basta!
Let’s Love!
Sejamos Românticos !
quarta-feira, 9 de maio de 2012
Não é fácil...

sexta-feira, 27 de abril de 2012
Experiências Kafkianas


Como todos sabem, eu adoro leitura . Resolvi, nas últimas, fazer algo inédito: ler dois livros seguidos de um mesmo autor. O escolhido foi Franz Kafka.
Decidi começar pela leitura de Carta ao Pai, pois havia comprado o livro há um bom tempo, mas não tive ânimo para ler. Acredito que tenha acertado em cheio ao escolher este título para inaugurar minha experiência Kafkiana, pois pelo que eu pesquisei e principalmente pelo que senti a conturbada relação de Kafka com seu pai é ponto crucial em sua obra.
A ''Carta'' foi escrita em 1919. Kafka tinha o intento de entregá-la ao pai, coisa que não aconteceu. Aqui, o que salta aos olhos, além, obviamente, da relação pai-filho, é o brilhantismo com o qual Kafka escreve: o aspecto literário desta ''simples carta '' é surpreendente. Quando li, além de enxergar aspectos de minha própria relação com meu pai, também me perguntei o que habitava a mente e o coração de Kafka.
Resolvi então, passar a vez à Metamorfose.
O livro já inicia com a emblemática e arrebatadora frase: '' Quando certa manhã Gregor Samsa acordou de sonhos intranquilos, encontrou-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso. '' A metamorfose na verdade ultrapassa os limites da mudança física da personagem principal. Tanto o seu cotidiano quanto o de sua família são alterados radicalmente.
Acredito que para um livro há várias interpretações, que ficam sempre a cargo da percepção de cada leitor. No meu caso, senti enorme perturbação com a questão da mudança. Achei cruel a forma com que Kafka descreve a dor de Gregor, algo que ousaria chamar de '' verdadeiro encontro com a solidão do ser '' . A surpreendente reação gradativa de sua família em relação à mudança também me assustou. Me fez pensar até que ponto estamos preparados e abertos para o que é novo e desconhecido. Será que cada um de nós sabe o quão forte para enfrentar obstáculos somos? Será que somos capazes de enxergar também o nosso lado cruel?
Os vários aspectos das leituras que fiz tanto de Carta ao pai e principalmente de A metamorfose, são perfeitamente contemporâneos, e justamente isso é o que me chamou atenção na leitura de Kafka. É algo com o qual é impossível passar ileso sem ser tocado de algum modo. Seja para o bem ou seja para o mal.
Recomendo fortemente a leitura, meus caros.
Beijos da Pretah ♥
quinta-feira, 22 de março de 2012
Memória afetiva


Minha memória afetiva é algo que guardo como tesouro, pois me é de grande valia. Cada nova lembrança que nela chega traz um cheiro, uma história e um sorriso. Na peneira de minha memória afetiva só passa o que de fato é especial.
Ontem, de forma sutil e de certo ponto esperada, isso aconteceu. Fui ao cinema assistir O artista, grande vencedor do Oscar deste ano. O filme é uma nostálgica homenagem ao cinema mudo e conta, através de sua transição para os Talkies (filmes falados), a história de amor de dois atores: George Valentín e Peppy Miller, respectivamente representantes da era muda e da ascendente era falada, que até hoje perdura.
Quando o filme foi lançado, fui correndo baixar e assisti em casa, pelo PC. Gostei do que vi e por certo me emocionei, mas algo me dizia que um filme deste porte deveria ser curtido numa sala de cinema, e assim o fiz.
Na imponente tela do cinema, o filme literalmente se revelou grande, e através dessa grandeza os detalhes se revelaram com clareza em frente a mim. Havia, porém, um detalhe a mais além do filme por si só: a companhia que estava ao meu lado, na poltrona preta e confortável da sala do espaço Unibanco.
Enquanto o filme ia passando, não sabia se me encantava mais com o sorriso de George Valentín, interpretado lindamente por Jean Dujardin, inclusive vencedor do Oscar de melhor ator, ou com o sorriso do moço ao meu lado, que nunca ganhou prêmio algum, mas estava ali ao meu lado vibrando, e com sua vibração, me premiando com tão belo espetáculo.
A partir daí então, a reação daquele moço às cenas foi dividindo minha atenção com o filme. Ia olhando a tela e sorrateiramente espiava seus olhos para capturar seus trejeitos frente ao que via.
Dois momentos me marcaram mais: numa das cenas, Peppy se abraça ao paletó de George e naquele momento tão romântico, o moço ali do meu lado falou bem baixinho algo como ''Que lindo!'' e eu, abobalhada, sorri como uma criança que não sabe prestar atenção em uma coisa só. Sua presença sempre teve o poder de me deixar atônita.
O outro momento ficou por conta da primorosa trilha sonora: em momentos mais críticos do filme, quando o nível de tensão aumentava e com ele , a trilha chegava a seu ápice, o moço regia a música silenciosamente, fazendo de conta que seus dedos eram batutas.
O filme é cheio de detalhes e simbologias interessantes, mostradas com sutileza e uma boa dose de senso de humor. Dessas sutilezas, achei interessantes (apesar de previsíveis) as menções das palavras ''falar '' e ''falante '‘, uma vez que o personagem de Dujardin é totalmente avesso a transição dos mudos para os talkies.
É interessante e curioso também, o fato O artista, em pleno ano de 2012 (em meio a nossa época de vastos avanços tecnológicos), ser o primeiro filme mudo a ser premiado com o Oscar de melhor filme desde 1929... Isso prova que não existe nenhuma época perdida e que o cinema, falado ou não, tem sua beleza e desperta saudade em quem assiste. Prova disso são os vários clássicos que são revisitados e redescobertos a cada dia.
Ao final do filme, saí da sala com a alma lavada por ter podido ver a O artista no cinema (uma espécie túnel do tempo para alguém tão nostálgico como eu) e por ter presenciado a emoção do moço que estava ao meu lado.
Enquanto os créditos iam subindo na tela, eu ia armazenando em minha memória afetiva cada detalhe do filme que vi e igualmente os detalhes que vi do rosto do moço.
Cheiro de pipoca, história de cinema, sorriso de Príncipe. É assim que entitulo o dia em que no cinema, vi O artista.
domingo, 19 de fevereiro de 2012
A paz e a guerra de Portinari


Meu final de semana foi felizmente salvo por uma decisão de última hora (mal de libriana): Sair do trabalho e ir correndo ver a exposição Guerra e Paz, de Portinari, no memorial da América Latina.
Confesso que entrei na exposição sem ter lido muito a respeito da obra. Conhecia ''por cima'' o trabalho de Portinari e pensei que minha permanência no memorial seria rápida, afinal eram ''apenas dois painéis''.
Logo que entrei no galpão, dei de cara com duas enormes obras de arte: dois murais de 14x10 m, um representando a Guerra e outro, a Paz. Olhei para cima, tentando interpretar e captar cada detalhe dos painéis, quando de repente as luzes baixaram e o telão se acendeu com essas palavras: '‘. Uma pintura que não fala ao coração não é arte, porque só ele a entende. '' Diante do baque desta frase, sentei-me no chão para prestar atenção. Em seguida, vieram esses versos:
''Entre o cafezal e o sonho
o garoto pinta uma estrela dourada
na parede da capela,
e nada mais resiste à mão pintora.
A mão cresce e pinta
o que não é para ser pintado, mas sofrido.
A mão está sempre compondo
módul-murmurando
o que escapou à fadiga da Criação
e revê ensaios de formas
e corrige o oblíquo pelo aéreo
e semeia margaridinhas de bem-querer no baú dos vencidos
A mão cresce mais e faz
do mundo-como-se-repete o mundo que telequeremos.
A mão sabe a cor da cor
e com ela veste o nu e o invisível. '' (...)
Esses versos pertencem a ninguém menos que Carlos Drummond de Andrade, que compôs este poema de nome ''A mão'‘, no dia da morte de Cândido Portinari, em 6 de fevereiro de 1962.
Os painéis Guerra e Paz foram encomendados em 1952 para representar o Brasil na sede da ONU, em Nova York e levaram aproximadamente 4 anos para ser finalizados. A ideia de expor os painéis no Brasil partiu do Instituto Portinari, que cataloga a obra do pintor desde 1979 e foi fundado por João Candido Portinari, filho do artista. Como a sede da ONU está em reforma, o instituto está com a custódia dos painéis até 2013, ano em que a reforma será concluída.
De volta ao vídeo no telão, logo após a apresentação do poema na voz do próprio Drummond (o que já seria motivo suficiente para me emocionar), os quadros começaram a ser esmiuçados aos olhos de todos que ali estavam e nesse momento, eu comecei a ser arrebatada.
Na voz de Milton Nascimento, cada painel foi ''explicado'' em versos compostos por Fernando Brant especialmente para as comemorações da exposição aqui no Brasil. Para falar da Guerra, enquanto em close, cada detalhe da obra é mostrado na tela, Milton declama:
A guerra é uma cavalgada
Cruzando o azul da paisagem
Cortejo de fome e de morte
Ferindo o coração dos homens
A mulher velando o filho morto
A mulher e a criança chorando
A mãe e a filha em desespero
De cabeças rolando na grama
A guerra são os quatro cavalos
Regendo a sinfonia de dores
São os braços erguidos em prece
Pedindo o final dos horrores
Depois desses versos, fui tomada pelo clima de desespero que o painel Guerra representa. Nele vemos os personagens em sua maioria com as mãos tampando os rostos ou com as mãos para o céu, como se fosse um clamor, um pedido de socorro. Vemos também repetidas vezes a representação da figura da Pietá (a mãe segurando filho morto), além das cores em tons fortes, gritantes... de modo que a Guerra nos causa mesmo desespero e solidariedade.
Por outro lado, a Paz faz jus ao nome que recebeu. Para retratar o quadro, Milton declama os seguintes versos:
A paz é um coro de meninos
É a voz eterna da infância
As mulheres dançando na roça
Os meninos pulando carniça
É a noiva de branco sorrindo
Na garupa de um cavalo branco
A mulher carrega um carneiro
Crianças no espaço balançam
A paz está nos meninos
Que brincam nos campos da infância
Nos homens, nas mulheres cantando
A harmonia, a esperança.
A idéia da Paz é justamente essa: a felicidade e a tranquilidade de pequeninos momentos como brincar de pé no chão na rua, dançar quadrilha ou andar na garupa de um cavalo. Aqui as cores são brandas, de forma que nossas vistas se acostumam de forma fácil e agradável com a pintura.
Além dos painéis, a exposição ainda conta com todos os esboços feitos por Portinari, além de reportagens de jornais da época, retratando a época da confecção da obra, além de alguns objetos pessoais do artista. Há também uma parte da exposição dedicada a documentar em vídeo todo o processo da montagem da exposição - desde as negociações com a ONU pela guarda dos painéis até a restauração da obra, com vários depoimentos, inclusive do filho de Portinari.
Fui às lágrimas em vários momentos. A princípio pensei se tratar apenas de dois grandes quadros, mas saí da exposição totalmente devastada com o tamanho da arte de Cândido Portinari.
A exposição fica aberta até o dia 21/04/2011 no Memorial da América Latina e eu nem preciso dizer o quanto recomendo.
Para ilustrar a postagem, o poema de Drummond em homenagem a Portinari.
Beijos da Pretah!


