segunda-feira, 21 de junho de 2010

Pensamentos Claricianos....


Ando calada essses últimos dias.....de novo sem inspiração para escrever....Aliás!tenho um mundo de ideias dentro de mim,prontas para serem expostas....mas acho que ainda não chegou a hora delas serem postas no papel....
Quando fico calada assim,gosto de ler e absorver alguns pensamentos para mim....e entre as coisas que estou lendo,o que mais vem de encontro a mim e de maneira bem louca é a Clarice Lispector,e eu explico o porque de ''maneira louca'':É que Clarice é para mim ao mesmo tempo uma incógnita e um livro aberto....tudo junto e misturado.
Gosto muito de sua visceralidade,da forma despretensiosa com que escreve...Clarice disse em uma entrevista : '

‘’Eu sou uma amadora e faço questão de continuar sendo amadora. Profissional é aquele que tem uma obrigação consigo mesmo de escrever, ou então com outro, em relação ao outro. Agora, eu faço questão de não ser profissional, para manter a minha liberdade.''

Acho isso bárbaro...a relação que ela tinha com as palavras,o mistério que ela era pra ela mesma...isso me enlouquece,porque eu sou como ela...tenho muito disso...essa impulsividade,esse mistério.Minha relação com Clarice é bem estranha,digamos assim....Por que ao mesmo tempo que me sinto muito íntima dela,as vezes não a entendo,nem a quero ver/ler.

Esses dias venho me sentindo muito próxima a ela,acho que pela nossa fome de pertencer....E afinal,como ela mesma disse ‘’pertencer é viver’’....

E ler Clarice me ajuda na minha busca ao ‘’pertencer’’....enche-me de dúvidas e ao mesmo tempo me abraça e acolhe......

Deixo vocês com alguns fragmentos de Clarice,alguns fragmentos que se misturam em mim....e ao final,a diva Bethania,citando também um trecho desta maravilhosa e amadora (no melhor sentido da palavra) escritora.


''“Sou o que se chama de pessoa impulsiva. Como descrever? Acho que assim: vem-me uma idéia ou um sentimento e eu, em vez de refletir sobre o que me veio, ajo quase que imediatamente. O resultado tem sido meio a meio: às vezes acontece que agi sob uma intuição dessas que não falham, às vezes erro completamente, o que prova que não se tratava de intuição, mas de simples infantilidade.''



“Estou sentindo uma clareza tão grande que me anula como pessoa atual e comum: é uma lucidez vazia, como explicar? assim como um cálculo matemático perfeito do qual, no entanto, não se precise. Estou por assim dizer vendo claramente o vazio. E nem entendo aquilo que entendo: pois estou infinitamente maior do que eu mesma, e não me alcanço. Além do quê: que faço dessa lucidez? Sei também que esta minha lucidez pode-se tornar o inferno humano — já me aconteceu antes. Pois sei que — em termos de nossa diária e permanente acomodação resignada à irrealidade — essa clareza de realidade é um risco. Apagai, pois, minha flama, Deus, porque ela não me serve para viver os dias. Ajudai-me a de novo consistir dos modos possíveis. Eu consisto, eu consisto, amém.”.



''Quando se ama não é preciso entender o que se passa lá fora, pois tudo passa a acontecer dentro de nós''


''Enquanto eu tiver perguntas e não houver resposta, continuarei a escrever. (...) Pensar é um ato. Sentir é um fato.''


''O que me tranqüiliza é que tudo o que existe,
existe com uma precisão absoluta.
O que for do tamanho de uma cabeça de alfinete não transborda nem uma fração de milímetro além do tamanho de uma cabeça de alfinete.
Tudo o que existe é de uma grande exatidão.
Pena é que a maior parte do que existe com essa exatidão nos é tecnicamente invisível.
O bom é que a verdade chega a nós como um sentido secreto das coisas.
Nós terminamos adivinhando, confusos, a perfeição.''








14 comentários:

gustavodinelli disse...

essa mulher era.... bom vc sabe, devo dizer que não sou profundo conhecedor das poesias e textos dela, mas das que li, realmente te pega pelo pescoço de dá uns tapas na cara, te acorda e ainda você acha isso bonito kkk

Luigi Lopes disse...

Oi...Estou em palavras para comentar este seu post...Lindo. Acabei de reler dosi contos da Clarice há horas: Restos de carnaval e Felicidade clandestinae fiquei pensando em postar no Caderno de Caligrafia, aí entro meu blog e encontro seu belo texto. BEIJO!!!!

Saozita disse...

Ola vim por aqui e entrei gostei muito do teu blog passarei por aqui se me permitires
Bj boa semana

Filipe disse...

Adorei ela eh foda vey..
ahauhahauha
inspiraçao vc tem sim tudona soh olhar pra mim...
haha
beijos!

O mundo de Alline disse...

Hum..miga confesso que não conheço Clarice mas depois desse post fiquei com vontade de conhecer..rs
bjs

Jão disse...

clarice...

não preciso dizer mais nada!!!

Livinha disse...

Querida Joyce, menina adoro tu e de cá vou ditar como te descrevo, pela razão da impulsividade.
Não costumas pensar, reages a toda e qualquer idéia que te surge e acabas se perdendo, até vir o arrependimento por não haver dado certo.
Agir é o que manda o figurino, sempre. Quando agimos nos damos ao direito de trabalhar o pensamento, pensar nas probabilidades de dar certo ou dar errado. É como arquitetar tudo, nos pros e nos contra.
Reagir é o erro, impulsividade a toda a prova e aí minha querida, um banho de água fria na adrenalina emotiva...

Quanto a Clarice concordo com ela, nada como ser amadora, evitando a responsabilidade de ser uma profissional.
Gente que ama a liberdade não gosta de se prender a nada, não gosta de compromissos porque eles impõe atitudes e tentamos nos livrar disso.
Esta sou eu Joyce linda e me amo por isto.

bjs
e obrigado sempre pelo teu carinho

Cecília disse...

Concordo com Jão.
(Filipe sempre faz o pior comentario hahaha)

C@urosa disse...

Querida Joyce, que maravilhas, a nossa imortal Clarice nos leva sempre a profundas reflexões, parabéns pela qualidade de suas postagens.

@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@
Para os amigos e amigas, um sábio pensamento do mestre que se foi.

"Sempre chega a hora em que descobrimos que sabíamos muito mais do que antes julgávamos."
José Saramago

forte abraço

C@urosa

Naty e Carlos disse...

Passei para visitar-te e deixar um bjs com carinho

Rico Salles disse...

Eu gosto muito de Clarice Lispector, essa ucraniana tão brasileira e que tanto fez pela língua portuguesa com uma obra riquíssima. E Bethânia é pra se ouvir com olhos fechados. Bj!

Manuela Santos disse...

Olá querida Joyce,
CLARICE, é um caso muito sério, ao lê-la tudo motiva um questionamento comigo própria, ela tem uma sabedoria sentimental fora do comum, ela penetra, ela mexe...e eu sempre à volta com os meus afectos, com anseios, incertezas, dúvidas, ilusóes e desilusões...
Beijinhos de bem querer!
Manuela

tossan disse...

Hum!!! Clarice Lispector! Não sou muito fã...é as vezes acontece, talvez por todos os blogs que passo eu a encontre. Talvez! Beijo moça desta vez eu fico te devendo

Trago Versos disse...

Obrigada pela visita moça! Que bom que você gostou dos meus versos! Melhor ainda essa sua vontade de cursar LETRAS, vá em frente é um curso ótimo, se gosta tanto assim da palavra vai se realizar...
Escreva também! A gente sempre tem algo de bom pra mostrar e a escrita é um exercício diário.
BjOOoO