sábado, 1 de maio de 2010

Conclusões em um sábado de sol


Naquele sábado ensolarado peguei minha mochila e saí por aí, para acalmar a confusão que se fazia em minha mente.

Entrei numa biblioteca e sentei-me numa mesa quadrada , e lá comecei a me lembrar do dia que você não veio.Depois de tantos planos e quereres,lidar com o sentimento de frustração não foi nada fácil.Chorei baixo por horas a fio,sentindo em meu peito uma dor comparada ao vazio : algo grande e cheio de ecos,que faziam gritar horríveis vozes dentro de mim.

Lembrei de sua decepção por não me agradar ; por ter dado tudo errado ; pelo nosso esperado encontro que mais uma vez fora adiado. Lembrei-me de seu receio em relação a mim, de sua tentativa de me proteger de um suposto sofrimento,da raiva que eu senti por isso,e do pavor que senti de por alguma razão,perder você.

Solitária naquela mesa,com um livro de Clarice Lispector ao meu lado,pensei por um instante em largar tudo e desistir como uma covarde.

Qual,o que! Aquele foi um segundo de medo e fraqueza.Se por um lado nosso encontro foi adiado,por outro ele se faz presente todos os dias. E o que é o amor senão um sentimento que transcende a barreira do físico?

Nosso encontro se deu e se dá através de nossas almas.Percebo isso em cada pensamento que lhe é devotado,em cada vez que você me toca com gestos não- físicos: é lá que te vejo como um espelho,refletido em mim.

Não vejo razão em amar e desistir do amor por qualquer dificuldade.Isso faria com que o amor ficasse gratuito.

Abri o livro de Clarice,onde ela,numa belíssima crônica dizia que a salvação é correr riscos,pois sem eles a vida não vale a pena.Concordo com ela.

Se naquele momento de fraqueza eu desistisse, talvez deixasse de sentir o frisson da espera,a raiva pelo encontro que não se deu,o receio de perder você. Se naquele instante eu desistisse,a dor seria maior por não ter arriscado e ficado a mercê do destino,que poderia sim me reservar dor,ou extrema felicidade.

Saí daquela mesa convicta de ter optado corretamente por correr os riscos que nossa história oferece.

Lá fora ainda havia sol,que raiava com a promessa de futuros dias felizes ao seu lado.




17 comentários:

Jão disse...

O bebe, nosso encontro se adiou...fiquei bem triste por isso. Num momento de fraquesa tambem pensei em jogar tudo pro alto, mais não consegui, tenho pra mim que nosso encontro quando se de mais ser mágico e definitivo...

TE AMO!!!!!!!!!

C@urosa disse...

Olá minha sensível e querida amiga Joyce, adoro ler seus textos, muito agradável e sempre traz lições de vida e reflexão. E ainda tem o Nando Reis para ilustrar e alegrar.Parabéns pela qualidade de seu blog.

paz, harmonia e uma bela semana,

forte abraço

C@urosa

Livinha disse...

Linda mocinha, como é bom amar,
as duvidas, as incertezas, o não querer do orgulho, brigando com o querer ficar nessas horas absurdas
entre terra e tanto mar.
Desistir? nunca! mais que palavra é esta, tão abusada, sinistra querendo me enganar.
Covarde não sou, haverei de lutar, pois que nada tenho a perder e se não apostar, como saber.
O dia passa tão rápido, a noite me põe pra dormir, não tenho tempo de demora, a hora é agora, preciso de fato assumir.

Lindo, lindo o teu texto mocinha, então que está esperando?
Eita tempo bom danado, onde as duvidas assaltava meu pobre espírito judiado e ria da minha cara...

Adoro tu, pois não!!!

Bjs mio
Livinha

@philipsouza disse...

Sempre com uma reflexaão, sempre mostrado um caminho quando nao estamos bem. No mesmo instante sempre presente em nosso caminho e nosas vidas...

brigadao Joycinha...


bjoss

O mundo de Alline disse...

Ah miga que triste...calma que tudo que é mais difícil fica mais "GOTOSO"...enquanto isso continua escrevendo esses pensamentos lindos pra nós tá...beijinhos!

tossan® disse...

Leu o que ele escreveu? Agora saia da biblioteca, pegue a digital, desça a serra, faça uma caminhada junto ao mar e do sol. Se há dúvidas do outro lado cheio de promessas vazias, não espere nada e siga em direção ao sol porque esperar o duvidoso é perda de tempo e quando ele vier pode chegar atrasado. O amor não afasta, uni. Quem espera nunca alcança. Use o filtro solar. Belo texto. Beijo

Manuela Santos disse...

Olá queridinha Joyce,
Texto óptimo, cheio de emoções, aliás um espelho das emoções que sente quem ama. Quando há amor, que não seja só fisíco, por tudo isso passam os que amam, certezas, incertezas, esperas, desesperos, eu sei lá!...
Beijinhos e tudo numa boa contigo.
Beijokas,
Manuela

Dayanne Andrade disse...

Econtro... desencontros... acontecem na hora certa, no momento exato da forma mais doce... ate o encontro o caminho é duro cruel e sofrido, mas tudo tem dois lados, mas pense pelo lado bom e pense apenas no positivo, no amor, no gostar... me lembro uma musica, Biquini cavadao - Quando eu te encontrar. (http://www.youtube.com/watch?v=ppOo7YJODyE&feature=related)
bjuss..

Ps: gosto daqui tb..

Ricardo Calmon disse...

Minina Joyce de vez poetou!aff maria!

lindo e fuefo post teu!
não dá mole naun pra esse guri!hehehehe!

bzuz

viva la vida

Cecília disse...

os nossos desejos exigem calma, paciencia e parcimonia. Frustrações surgem... mas o que precisamos tem de estar em nós. EQUILIBRIO.

Luigi Lopes disse...

Adorei seu post Joyce. Você conseguiu passar emoção de forma bem literária e além disso a citação de Clarice me deixou maluco, como tudo da Clarice. Abração!!!!!!!!!!

Tatiana disse...

Não devemos desistir jamais... Ainda que possa machucar.
Seu relato é um abrir de alma fascinante!
Tenha uma ótima semana!
Um beijo carinhoso

Vivi disse...

Até eu fiquei triste com a notícia... mas não desanima não.. logo vcs vão se ver, e vão rir do dia que deu errado...pq certeza que da proxima será melhor!

beijos Cuh

Celamar Maione disse...

Viver é arriscar....não temos outra maneira.

Beijos

Filipe disse...

CAlma querida vai dar certo...
linda como sempre..
beijos!!

Helena Castelli disse...

Felizes os que deixam que o amor siga o seu caminho, felizes os que se deixam amar e amam.

Beijos meus, com carinho.
Helena

nas entrelínguas disse...

"Se a chama do sol for muito grande então se chama solidão!"