quinta-feira, 1 de julho de 2010

Enquanto falta inspiração,Drummond fala por mim


Estou mais uma vez lendo meu poeta de cabeceira,Carlos Drummond de Andrade,que escreve com aquela simplicidade de todo bom mineiro...uma simplicidade que arrebata aqueles que conseguem sentir o impácto de sua poesia. Enquanto a inspiração teima em não me valer,deixo vocês com dois poemas do maravilhoso livro Corpo,que estou revisitando esses dias. Ah,pro pessoal de SAMPA,tenho uma ótima dica : A mostra SHOÁ- reflxões por um mundo mais tolerante está até o dia 04/07/10 no sesc pompéia^^ Exposição sobre o Holocausto judaico, ocorrido na Segunda Guerra Mundial sob o regime nazista de Adolf Hitler, que conta com recursos audiovisuais interativos para apresentar acontecimentos históricos relacionados ao tema e abordar questões como coexistência e direitos humanos. Eu vi e recomendo muitíssimo^^ Informações no http://www.sescsp.org.br/sesc/


HORA DO CANSAÇO

As coisas que amamos,
as pessoas que amamos
são eternas até certo ponto.
Duram o infinito variável
no limite de nosso poder
de respirar a eternidade.

Pensá-las é pensar que não acabam nunca,
dar-lhes moldura de granito.
De outra matéria se tornam, absoluta,
numa outra (maior) realidade.

Começam a esmaecer quando nos cansamos,
e todos nos cansamos, por um ou outro itinerário,
de aspirar a resina do eterno.
Já não pretendemos que sejam imperecíveis.
Restituímos cada ser e coisa à condição precária,
rebaixamos o amor ao estado de utilidade.

Do sonho de eterno fica esse gozo acre
na boca ou na mente, sei lá, talvez no ar.


ASPIRAÇÃO
Tão imperfeitas, nossas maneiras de amar. Quando alcançaremos o limite, o ápice de perfeição, que é nunca mais morrer, nunca mais viver duas vidas em uma, e só o amor governe todo além, todo fora de nós mesmos? O absoluto amor, revel à condição de carne e alma.

11 comentários:

Cecília disse...

Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão

Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.

Filipe disse...

As coisas que amamos,
as pessoas que amamos
são eternas até certo ponto.
Duram o infinito variável
no limite de nosso poder
de respirar a eternidade.

Super verdade...
Gosto de Drummond meu conterraneo e gosto de vc tbm tudona sempre que leio os posts me lembro de algo e me sinto estranho.. hahaha (mas estranho no bom sentido tipo de relembrar o passado sei lah..)

Beijos!!

Rebeca disse...

Oi Joo!
Faz tempo que não visito aqui, né?
Abandono meu blog e esqueço do blog das pessoas! rs

Primeiro quero te dizer queestá sendo muito bom conversar contigo e dividir essas experiências :)
E segundo, força pra nós que a gente merece o melhor!

Lindo o poema e a dica, super bacana, eu adorooo a história de Hitler!

beeeijos

Luigi disse...

Adoro Drummond e amo o poema A hora do cansaço. Excelente escolha. Acho muito importante pensarmos sobre as catástrofes da história para não a retualizarmos. Nesse sentido sua dica sobre a exposição da Shoah é muito interessante.

Livinha disse...

Gosto muito do Drummond e sempre admirei seus poemas. Grande escolha minha linda.

Amor na eternidade é amor que fica de verdade. AMOR ultimo sentido o ápice dos sentimentos adquiridos. Eernamente se põe no calor como o sol tênue das manhãs quão compreensível, divisível e se pode transpor. Eterno quando nunca se desmancha, como água se eleva em vapor pelo calor que se emana...

Bjs mocinha
excelente postagem
Livinha

tossan® disse...

Carlos Drummond de Andrade e Mário Quintama são os meus preferidos.
Mais um show de postagem melhor do que lazanha! Beijo moça

Manuela Santos disse...

Olá querida Joyce,
Carlos Drummond Andrade é um imenso poeta, dos meus preferidos.
Muito bom o seu poema, A Hora do Cansaço, que pode aplicar-se a ti e essa falta de inspiração? Olha à tua volta com olhos de ver, que a inspiração volta!...
Beijinhos querida amiga, gosto muito de ti.
Manuela

Francisco Cisco disse...

Joyce querida!
A exemplo do Tossan, Drummond e Quintana são meus preferidos também. Com este último tive o privilégio de passar uma tarde, a qual relatei no meu último post.
Por coincidência, estou relendo Drummond. Comecei nesta semana, e dá vontade de não parar nunca..rsrs
Um beijo grande!

nas entrelínguas disse...

“O beijo ainda é um sinal, perdido embora,
da ausência de comércio,
boiando em tempos sujos.”

[Drummond]

OBs: pode pegar o poema que quiser, levá-lo para onde quiser =) Como disse antes: 'sintaXe' à vontade nas entrelínguas ;) Bjão!

brnoliver disse...

com ceteza ele é marcante, é uma ótima escolha sua para ser postada, rs

Inanna Demian disse...

Joyce,

Magnífico post!!! DRUMMOND é sempre ETERNO...

Andei sumida, pois estava trabalhando este outro blog. Espero que goste. Depois vai lá me visitar.

Beijos!

Lou Albergaria